terça-feira, 5 de agosto de 2014

CONSUMISMO, ADOLESCÊNCIA E YOGA PELADO: SAY WHAT?


 
De repente eu estou caminhando na rua e vejo duas meninas, idades ótimas para estimular a criatividade brincando com bonecas ou jogos de memória, gritando uma para a outra:

-Não sou mais sua amiga!
                         (A velha história da chantagem emocional).

Eis que a outra também implica:
-Eu quem não sou! O Robson é meu!

Oi? Robson? Paro para ver (e rir). Seria esse o nome do tal namorado da Barbie que elas deveriam ter na mão?
Pois bem, quase isso. Até acordar de meu transe imaginário, percebi que, na verdade, Robson era um raparigo de 12 anos pelo qual ambas se apaixonaram. E uma delas passou como um raio por mim, bufando de raiva para a outra. Depois, olho essas jovens e não sei se posso ficar mais boquiaberta. Pergunto de novo para mim:
 

                                 -Oi? Eu ouvi tudo isso?
 
Tudo bem, sou forçada a me conscientizar que as crianças de 12 anos não são mais as crianças bobas de dez anos atrás (leia-se eu). Na verdade, nem crianças mais são. Sagazes, inteligentes, andam colocando à prova até a mais nerd das mulheres adultas e maduras de trinta anos. Temos, sim, muito que aprender com elas. Mas é inevitável olhá-las e se olhar sem perguntar onde ficaram suas infâncias, e por quais caminhos elas estão andando.
Olhei essas jovens e me pergunto:


-Como assim, sofrendo e brigando tão cedo? Eu tinha dezessete anos, tudo bem. Agora dez, onze? Em que curva perdemos nossa ingenuidade? Deveríamos ainda brincar de boneca, estar aprendendo a andar de bicicleta, rodar na roleta e estudar o porquê do BE-A-BÁ. Mas o mundo evoluiu rápido demais. Nós evoluímos rápido demais. Precisamos tomar decisões que vão além do sapato ou do botón que combina com a cor do uniforme de escola, muito mais do que somente o sabor da calda que queremos sob o sorvete.
Um dia foi assim. Hoje é um mero detalhe.

-Calda, moço?- revira-se os olhos um segundo do celular porque não se pode perder uma postagem sequer de um amigo. – Ah, tanto faz.
 
Muito na vida é tanto faz. Afinal, há outros milhares de motivos mais importantes que isso. A correria da vida, o livre árbitro de se fazer o que quer oferece tantas oportunidades que fica difícil tomar uma decisão. Você de repente já é adulto e precisa decidir antes dos 18, ao mesmo tempo em que precisa atualizar sua página do facebook, pinterest , instagram e seguir seu ator- gato- preferido no twitter. Precisa conferir as tendências de moda e dar uma passadinha na sua loja de cosméticos amada. Afinal, seu perfume está terminando. E você precisa ver outro sapato porque a tira do seu não combina com a cor do suéter. Bóton? Isso é coisa já antiga. O negócio agora é beijar na boca. Ou melhor, namorar pelado. Opa, já ouviu a última? Fazer yoga pelado, na verdade. E cada vez mais cedo. É tanta informação que acho às vezes que até eu preciso me atualizar.
 
                              Peraí que eu preciso rir um pouco..

Mas eu vou seguindo. Aos trancos e barrancos, saltitante, feliz da vida e de salto (porque salto é alto e necessário). Afinal de contas, ele deixa nossas costas mais eretas e nossa postura mais elegante, o que também nos dá alguns bons centímetros com aquele gato que queremos tanto conhecer, fora que combina com a bolsa turquesa com rosa que você comprou baratéssima em uma promoção na semana passada e.. Ah, deixa pra lá. Me entupi de informação e ainda estou estupefata com essas crianças.. Acho que você me entendeu.





Beijocas,

Vanessa Preuss











 

2 comentários:

Luciano alves disse...

Bom dia

Vanessa Preuss disse...

Bom dia, Luciano!!
Muito obrigada!! Um beijo!