sexta-feira, 16 de maio de 2014

QUAL A RAZÃO DA TUA VIDA?

 

Em tempos onde o tempo não para nem para consertarmos a dor de um coração perdido, parece que o tempo diminui mais cada vez mais para dedicar-nos ao que realmente amamos. São negócios, horários a cumprir e metas tão longas a tão curtos prazos que dificilmente sobra tempo para sequer pensar no que gostamos. Trabalhar no que se gosta, então, é para poucos; muitos se escravizam atrelados à rotina de um trabalho que não lhes dá prazer sem sequer tentar dar um passo em direção contrária.
À medida que o tempo passa e você cresce, porém, os questionamentos- e dúvidas e arrependimentos- vão ficando mais fortes.
Afinal, por que nãos nos dedicamos ao que amamos? Será por medo de largar o emprego com garantias? Medo do que os outros irão pensar? Medo- credo- de não dar certo? Aprender que isso é absolutamente natural e que o medo existe em cada um de nós já é um grande passo que damos. Trata-se apenas de nosso instinto gritando pela sobrevivência em meio à selva da vida, algo comum desde os tempos em que vivíamos nas cavernas, quando logicamente, a vida era muito pior. Concordo, sim, que o medo não seja absolutamente bom. Porém, se não fosse por isso não estaríamos mais aqui, compreende?
O medo é algo que podemos controlar.
Mais complicado que não correr atrás do que se quer e passar um pouco de medo é se arrepender profundamente quando a nossa vida estiver se esvaindo desta para outra.
São pensamentos bobos, mas que me questiono:
Se tanta coisa mudou desde lá, por que não mudamos a nossa perspectiva de vida? Por que não fazemos o que gostamos?
Ah sim, eu lembro. Há a casa. Há os filhos, as contas para pagar e o aluguel, que não pode ficar para trás. A vida é uma correria, você não tem tempo para parar e pensar no que gosta. Não? Então me diz, onde sua vida encontra sentido? Onde estão suas forças maiores, e onde você as desarma quando o mundo parece cair às suas costas?
Obviamente, nada do que começamos por nossa própria conta é fácil. Sofremos com o medo do mercado, das carências que temos no início, da não aceitação. Mas ninguém, absolutamente, é totalmente ovacionado de pé. Nem pelo próprio vizinho. Nem pelo amigo, imagina pelas pessoas que não nos conhecem?
Você é um estranho: te encaram de nariz franzido, testa torta, olhares 40 e todos. Para chegar onde deseja, você tem de provar porque merece estar aqui. Porque merece crescer, ser seguido pelas pessoas nas redes sociais, na rua, ter um fã-clube, mulheres lindas e homens malhados correndo atrás de você (ok, exagerei..haha)
Mas é simples assim: você precisa aprender que se quer ter algo, é só você mesmo para fazê-lo. Onde e como, seu coração quem precisa saber. Para quem também, e principalmente porque. Acima de tudo, deve haver uma razão pelo qual você agarre sua empresa com todo o amor e brade seu nome com glória. E uma boa especificação de porque ela pode ser boa para os outros também. Quer o segredo? Está aqui.
Eu não sei, e nem você. Mas temos a vida inteira para descobrir. E se isso que faz seu coração dar cambalhotas vacilantes e faceiras que só você entende, continue seguindo em frente.
 
 
Beijoos,
 
Vanessa Preuss

quarta-feira, 14 de maio de 2014

SOBRE ANIVERSÁRIOS E FINAIS DE ANO


 
Geralmente eu costumo refletir muito em aniversários e finais de ano. Na vida, nos meus sonhos, e eu tudo que estou fazendo para realizá-los. O que eu estou fazendo pensando agora? Hahaha.. Não é meu aniversário, tampouco final de ano. Já passamos quase metade dele, estou terminando um livro, encorajando-me a perder alguns quilos, batalhando para o inglês penetrar na cabecinha.
Tive alguns avanços: Fiz uma promessa no final do ano, criei uma página para colocar minha vergonha alheia (que vergonha boba, garota!) no papel para todo mundo ver. Não foi tão terrível como eu pensava. Ao contrário, ando recebendo alguns elogios que me motivam e me elevam mais alto que o último andar do maior edifício de Tupandi (certo, um pouco mais que isso). Também estou lendo meu segundo livro em inglês, confesso que por vezes com a ajuda de meu amigo tradutor online, mas digo firmemente que é uma sensação maravilhosa e libertadora.
Ando me perguntando ultimamente com muita força sobre o que desejo ser. Aliás, perguntar-se a cada dia o que você deseja ser é um bom caminho para começar. Onde você pretende se ver nos próximos anos, e principalmente, o que precisa fazer para chegar lá. Tem as respostas para me dar? Anda calçando as botas direitinho? É melhor dizer que sim. O frio está chegando, e com ele- e todos os invernos que passam por você- você vai aprendendo a ser teu maior crítico. Eu costumo dizer que é bom, afinal de contas, você se dedica muito mais para que tudo fique melhor. E mais valioso, com seu diferencial irrefutável e admirável. Contam os cálculos que somos 7 bilhões de seres humanos, e cada um de nós existe com suas peculiaridades. Ninguém é completamente igual a você, absolutamente ninguém. Já parou para ver quanto poder temos dentro de nós e nem percebemos?
Por que então  não fazer o que você ama com o seu trabalho, ajudando pessoas do seu jeitinho? Garanto que vale muito a pena. Até mais que isso: garanto que o tempo vai passar, e você não precisará gerar fontes de desespero pelos fios brancos e as pequenas rugas que forem aparecendo com os passar dos tempo. Quando você cria a certeza que está fazendo o seu trabalho certo, isso passa a ser indiferente, um mero detalhe. E as pessoas vão lentamente vendo teu exemplo.
Como nunca ninguém encontrou um jeito de adiá-lo, ou de adquirir a fonte da juventude eterna, o bom é se mexer, e aproveitar o quanto ainda somos jovens e saudáveis para fazer- e acontecer. Eu costumo dizer que uma boa e discreta maquiagem ajuda, junto com um casaquinho e vestido preto básico no corpitcho. Se você for homem, pode não entender. Tudo bem, isso é segredo de mulher. ;)
O que importa é se mexer. O você está fazendo – ou esperando- para acontecer?
Deixe a resposta nos comentários!
 Um beijo do fundo do meu coração,

Vanessa Preuss

 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

UM RELATO SOBRE SER MULHER- E APRENDER A CRESCER


Quando eu nasci, meus pais não sabiam o que eu era. Perguntaram para minha mãe e ela respondeu que era um menino pelos pulos que eu dava. Meu pai já tinha até o nome de macho para mim: me chamaria Nardele. Nome especial de um rapaz do Paraná, que jogava futebol e que ele admirava quando novo. Mas eis que ao meio do caminho, aconteceu o improvável: não nasci menino. Havia uma equivocada perereca abaixo de minha cintura, e contrariei todas as expectativas.
Meu pai se surpreendeu. Nem engravidar de mim eles esperavam, então o nome já escrito no papel deveria ser mudado às pressas. Bons pais que são, quando eu nasci eles me aceitaram de braços abertos, me amaram muito, deram-me o nome de Vanessa. Nos primeiros anos de minha vida morei em Santa Catarina; depois, fui para o Mato Grosso. Voltamos para Santa Catarina novamente, e de lá, viemos para Tupandi, no Rio Grande do Sul. Pequena cidade de quatro mil habitantes, tinha menos ainda na época. Cresci e comecei a ir na escolinha, a estudar e fazer amizades. Eu era ingênua e feliz. Minhas brincadeiras era pega-pega e amarelinha. Quando fui crescendo, minha mãe acostumou-se a vestir a mim e a minha irmã com as mesmas roupas. Não éramos gêmeas, mas até o cabelinho tigelinha era igual. Indignada, pedi para ela mudar quando já estava mais crescidinha. Comecei a escolher minhas próprias roupas, e trabalhei para ganhar meus primeiros trocadinhos.
Não beijei na boca até meus dezessete anos. Puxa vida, não? Não. A primeira vez que apareci conversando com um menino na frente de casa, lá pelos quatorze anos, meu pai enlouqueceu. Fiquei meio traumatizada, mas também sempre tive vergonha dos meninos. Resolvi dar um tempo. Tudo bem, eu não precisava deles até então. Ao invés disso, escrevia poemas no meu velho caderno. Saía com minhas amigas. Diverti-me muito com minhas amigas. Fui paquerada algumas vezes, um menino quase morreu de amores por mim. Ok, ele sobreviveu e eu não me culpei por isso.
Um certo e lindo dia, voltei da biblioteca e fui paquerada por um homem desconhecido que me ofereceu quinhentos reais para “dar um rolé por aí.” Emudeci. Certo, ainda consegui ser educada, dizendo: “Não, obrigada.” Cheguei em casa aterrorizada e morri de vergonha de contar para minha mãe. “Como os homens podem ser assim?”, pedi. “Alguns deles são”, ela me respondeu e me calei, mesmo sem entender.Anos depois, me apaixonei pela primeira vez. Beijei um garoto duas vezes, e ele quis me tirar do baile para “dar uma volta”. A tal da volta tão comentada e alertada por minha mãe. Homens assim são cretinos, sem vergonhas, cafajestes. Distância deles! Eu fiquei me perguntando como alguém tinha coragem de propor algo assim de supetão. Voltei para casa e fiquei sem entender- novamente- como os homens podiam ser assim. Nada era como eu pensava.
Na primeira viagem de ônibus sozinha que fiz- aos dezoito anos!-, minha mãe estava com o coração na mão. E eu só estava viajando até a casa de minha tia em Dois Irmãos (uns 35km). Mãe coruja às vezes realmente é um problema. Não entendi esse estardalhaço dela ter tanto medo assim de que eu me perdesse, me sequestrassem ou coisa do tipo. Sentei no banco, e um homem sentou ao meu lado. Tudo bem, Vanessa. Não respire. Não se mova. Não olhe em sua direção que ele pode te estuprar. O homem virou para mim e começou educadamente a conversar. Mas disse-me coisas que eu não compreendi. Que mulher tem que se cuidar. Como assim, cuidar? Atordoada, escutei ele me contar as peripécias de ser mulher, sendo que- olha que engraçado!- ele não era. Então desci na minha parada de ônibus aliviada por ficar longe para sempre desse homem. A promessa de que as mulheres precisam a todo custo saber cozinhar não coube para mim. Queimei meu braço no cano do fogão a lenha de minha tia e voltei para casa com uma mancha terrível como cicatriz e lembrança.
Depois disso, peguei umas aulas práticas com minha mãe para aprender -de fato- a cozinhar. Pelo menos sei fazer pão, e me viro no feijão e arroz.  Aprendi a me maquiar. Aprendi que preciso me comportar bem. Aprendi que usar shorts curtos na rua significa que você é vulgar. Que batom vermelho é coisa de piranha, e mulher que se preze não sai de casa sozinha depois das dez. Aprendi muitas coisas que julgo competente, e outras que não. Aprendi por mim mesma que sou em quem devo julgar e competir a mim mesma o que eu acho bom. A vida é minha, não é mesmo?
Sou mulher, mestruo, tenho cólicas e vez ou outra, crises de terror com meu cabelo, minha pele e por aí vai. Sonho com minha própria casa, meu próprio carro, e não porque a sociedade me impõe isso, mas porque isso é algo significativo para mim. E acredito em meus sonhos. Se eles competem à mulher ou não, não interessa. Interessa meus sonho, minha alegria de viver e a razão pelo qual eu faço o que faço. Mulher que se preza merece tanto salário quanto seu marido. E tanto amor quanto o que eles também pedem em silêncio, no findar de cada noite. Acha que só as mulheres são carentes? Encontre um homem, e você verá que eles são tão dependentes quanto nós. Isso não é coisa de mulherzinha, e se você reparar bem, necessitar ser amado, aceito, respeitado e valorizado é um desejo de todos nós,  mas pelo qual as mulheres precisam batalhar muito mais somente pelo fato de serem consideradas ‘frágeis” e por nascerem com a dita cuja “perereca”.

E então, concorda comigo?
Um beijo!
Vanessa Preuss

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A GAROTA DA CHUVA


 
O chão molhado pela chuva respingava lama para todos os lados quando ela batia suas galochas alaranjadas contra o concreto. Abaixo do guarda-chuva, a menina carregava um sorriso colorido demais para um dia cinza como aquele. Todos se espantavam com tamanha gentileza em seu olhar, andar, falar e tudo que terminar com "ar".
Naquela semana, a bolsa de Nova York havia caído; a Amazônia tinha um quilômetro a menos; mais um furacão havia passado pelo Japão; e a essa altura, mais uma bomba acabava de explodir em algum lugar do ocidente; mas quase nada, pra não dizer que nada, afetava o jeito inocente dela de ser. O tempo úmido não frisava seu cabelo ondulado e caramelo como um pacote de balas, e sua pele, aveludada como a de um anjo, parecia não possuir poros. A natureza havia beijado-lhe a face e presenteado-lhe com o melhor dos tesouros, a juventude.
Por isso havia quem a invejasse. As moças que já tinham idade para usar sutiã tinham raiva da mocinha de belos traços e caminhar elegante para sua idade. O bom gosto morava naquele pequeno corpinho de violão, e isso as irritava, pois, por mais que quisessem conservar aquela beleza menina de ser, elas não conseguiam e a viam esvair-se delas cada dia mais.
Ninguém sabia de onde ela vinha ou sequer pra onde ia. Nos dias de sol, ela não aparecia; porém, sempre que chovia, ou que o tempo tempesteava, ela dava o ar da graça. Há quem diga que ela é a encarnação do sol que quando cansa de assistir tudo lá de cima, desce aqui na Terra pra passear.
Nesse sábado, ela mudou a cor da capa de chuva, escolheu o azul, como o céu. As galochas ainda são as mesmas, mas o guarda chuva parece ter ganhado bolinhas brancas ou vermelhas, não importa. Ela deu boa tarde ao padeiro que na porta esperava os pães crescendo na cozinha; sorriu para senhora de dentes amarelos que trancava a floricultura; cumprimentou com um sorriso a filhinha dos donos da loja de animais. Depois seguiu depressa rua afora.
A rua era daquelas longas, do tipo que o garoto da banca de jornais de uma esquina talvez nunca veja a garota da loja de calcinhas da outra esquina, e assim, se o destino não preparar uma boa cilada para os dois, é provável que eles nunca se conheçam. É por isso que ninguém talvez saiba da alegria que ela traz, nem ela tem. Pois se eles não conhecem a garota da capa de chuva estranha, eu conheço e por ela choro. Não choro de dó, choro porque um dia, todo seu agasalho fora alaranjado como peônias, mas, a cada dia de caminhada na chuva, ela doava um pouquinho do seu colorido para colorir o mundo de quem a vê e isso a tinha tornado menos vibrante vagarosamente.
No início, ela era mesmo como o sol. Brilhante, radiante, forte. Agora, sempre que ela vem visitar seus velhos conhecidos, é sagrado deixar cor. E ela vai caminhando como se seus pés fossem lápis de cor ou gizes de cera que fazem de cada passo um risco de vida no preto e branco monótono e triste. Vai sem medo, sem preocupar-se em combinar as cores, sem medo de sair fora do contornado do desenho, segura de que é isso que ela tem de fazer. Segura de que as cores que ela aqui deixa, também a farão sentir-se bem; que seja se recolorindo um dia, que seja admirando tudo quando terminar; sua única certeza é de que ela está fazendo o certo. Sem dores, sem traumas. Só vida.
Ela acaba de passar por aqui, sei disso porque as lágrimas que derramo por ela estão adquirindo cor, acabam de se tornar violeta. Me sinto culpada por eu também estar roubando sua vida, me sinto culpada por viver e ajudar para que um dia ela se torne só um traçado sem preenchimento. Me sinto culpada mas, hoje mais do que nunca, me sinto viva. Me sinto viva como se um arco íris vivesse em mim.

 
Por
<3

quinta-feira, 1 de maio de 2014

SOBRE SE APAIXONAR

Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer. A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim… quem disse que ser adulto é fácil? Melhor é aproveitar a vida, e fazer dela sempre a melhor que você puder.

Beijocas e boa sexta,
Vanessa 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

DAS COISAS QUE SÓ SE VÊ NO INTERIOR: UMA CARTA DE MEU PAI


Essa é a carta que encontrei de meu pai, quando já estou
morando longe dele, com minha família feita, e com uma
saudade no coração. Sou formado em engenharia mecânica,
tenho uma esposa maravilhosa e uma filha linda. Também, adoro
os dias bonitos para sair com eles e tomar chimarrão em uma
praça. Sou gaúcho, e vale constar para vocês: não sou tão ligado
em tecnologia.
Saudades, meu velho.
“Eu sempre gostei de futebol. Minha mulher odiava.
Nossos finais de semana eram difíceis. Ao pé da letra, um
inferno.
Ainda mais quando o sol batia com trinta graus na nossa cara.
Meu filho, Amaro, que estava sendo nossa salvação.
Economizara todo dinheiro que ganhava trabalhando na
metalúrgica do Seu Inácio.
Para comprar um notebook, e estudar.
Acho que é um daqueles computadores que podemos levar na
mão. Só acho.
Pois bem, ele o comprou. Não o vejo seguidamente, até porque
estuda na faculdade.
A vida não é tão fácil no interior, por isso decidiu sair.
Entrou no ano passado, mas o guri insiste em me dizer que foi no
semestre passado.
Deve ser a tecnologia que faz com que olhem para o tempo como
“semestre”.
Não importa. De qualquer forma, meu dia se resume ao trabalho
em nossas duas lavouras.
Planto soja, tomate e pepino, meio a meio nessa última. Pode me
pedir o que quiser sobre eles. Sei exatamente o mês que preciso
plantar e quando posso colher.
Sei que preciso deixar a terra preparada antes. Afofá-la, se assim
acharem melhor.
Mas boa mesmo, de verdade.
Nisso, minha mulher também ajuda.
O sol nos castiga um pouco, mas é o que nos acostumamos a
fazer. E amamos.
De qualquer forma, muita gente não sabe nada disso.
Eu dou risada quando me olham apavorados ao ouvirem-me dizer
que sou do interior.
Então, volto a repetir que, quando me sobra tempo, divirto-me
plantando e colhendo batatas também.
Acham isso anormal. Mas como, se é isso que comem? Como
Insistem em dizer que a tecnologia que comanda o mundo. Meu
amigo, eu não concordo com isso.
Nem minha filha também, que sonha ser bailarina. Ela acha que o
ballet quem vai dominar.
Quando dei risada, na última quinta-feira, minha mulher me
xingou.
Sempre com essa mania de defender os filhos. Mas, meu caro, eu
obedeci. Vou fazer o quê?
Agora, preciso conviver com a minha filha, ouvindo-a dançar
músicas sem que ninguém as cante, e se equilibrar nas pontas
dos pés com aquela roupa rosa e colada demais, que quase
mostra a sua piriquita.
Já tentei orientá-la por isso, mas não adiantou. Ela me disse que
precisa e ponto final. Precisa mostrar a piriquita, mas olha aqui o
chinelo, menina atrevida!
A única vez que ela me convenceu para tentar um passo- que
obedeci também por causa de minha esposa- quase quebrei meu
pé.
Que coisa louca era essa de ficar se equilibrando na pontinha do
dedão? Eu, hein.
Como ia dizendo, todos ainda acham que essa tecnologia que vai
dominar o mundo.
Eu duvido, mesmo quando vejo a maioria dos jovens na rua só
enfiados em seus telefones e “tablets”.
Meu filho quem me ensinou isso: tablets. Também é ligado nessa
tecnologia.
Aliás, seu sonho é ser engenheiro. Precisa entender de
tecnologia.
Eu desejo boa sorte para ele, mesmo sem entender nada disso.
Na verdade, ainda estou aprendendo a mexer naquele botãozinho
que liga o computador.
Eita, tecnologia boba. Tô começando a encher com esse nome.
Mas sei que ainda vão precisar de mim lá na roça, ah se vão.
Muita gente compra de mim. Durante toda a semana.
Todinha. Sábados, até.
Só não em domingos. É dia do meu futebol.
Minha mulher odeia. E lá estamos nós brigando de novo.”

Um beijo,
Vanessa Preuss

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ensaio breve de um ex-amor



Eu poderia ter tido todos os sonhos com você. Mas a vida me ensinou a não molestar-me por tão pouco. Não machucar-me por tão pouco. Não desistir por tão pouco. Não deixar de ser eu mesma. Havia muito caminho ainda para percorrer. Muitas pedras para trilhar, um mar imenso para desbravar. E aí aparece você e tenta afogar-me em um riacho?
Faça- me o favor. E faça mais. Não me faça rir. Deixe-me viver a vida, que minha mãe me ensinou muito bem como se cuidar. Sei fazer minha trança e usá-la como escape. Sei fazer meu próprio banho da juventude. Ela começa quando lavo a alma; de você, de suas promessas quebradas e jogadas aos leões.
Não preciso de príncipe se for para me torturar. Não preciso de sessões de terapia, um bom capítulo de Sex and the City já me acalma. Tudo bem, eu me acalmo. Sou mulher, preciso de liberdade e dessa ânsia de viver. Sua solidão não tem espaço aqui, pois todos os sonhos competem muito lugar com ela. Faço chamego em mim mesma se for preciso. Não necessito de consolo. Aliás, antes que você confunda as coisas, esse é meu pedido de salvação: se não puder resgatar meus lábios jamais, por favor, nem venha.


Vanessa Preuss